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Site para escritório de advocacia sem ferir as regras da OAB

Rafael Barcelar··8 min de leitura

Existe um mito persistente de que advogado não pode fazer marketing. Não é verdade. O Provimento 205/2021 do Conselho Federal da OAB deixou explícito que a publicidade informativa e o marketing jurídico digital são permitidos. O que não pode é a mercantilização da advocacia, e a diferença entre uma coisa e outra é onde a maioria dos sites erra. Este texto mostra como montar um site que traz cliente e não te leva ao Tribunal de Ética.

A linha que separa informar de captar

A régua do provimento é essa: você pode informar, educar e demonstrar competência. Você não pode captar clientela, prometer resultado nem transformar a advocacia em produto de vitrine.

Na prática, o que é permitido:

  • Descrever as áreas de atuação do escritório com profundidade.
  • Publicar artigos, análises de legislação, comentários de julgados e conteúdo educativo.
  • Informar formação, títulos acadêmicos, publicações e participações em eventos.
  • Ter blog, newsletter, redes sociais e vídeos informativos.
  • Aparecer no Google organicamente por meio de conteúdo relevante.

E o que é vedado:

  • Prometer ou insinuar resultado ("garantimos a sua indenização").
  • Divulgar valores de honorários como oferta, com desconto ou promoção.
  • Publicar depoimentos de clientes e casos concretos com identificação.
  • Usar expressões de superioridade, do tipo "o melhor escritório trabalhista da cidade".
  • Anunciar em formatos de captação agressiva e mercantilização da profissão.

Se você tem dúvida sobre um item específico, a regra prática é honesta: leia a frase e pergunte se ela informa ou se ela vende. Se soa a anúncio de loja, provavelmente atravessou a linha.

A estrutura que funciona dentro das regras

O paradoxo é bom: as restrições da OAB empurram você exatamente para o tipo de conteúdo que o Google mais valoriza hoje, que é conteúdo técnico, aprofundado e assinado por quem entende. Enquanto o concorrente enche o site de "atendimento humanizado", você pode ocupar o espaço com substância.

Uma página por área de atuação

Esse é o núcleo. Se você atua em direito trabalhista, previdenciário e de família, são três páginas, não uma lista com bolinhas. E dentro de cada área, subpáginas para os temas que as pessoas realmente pesquisam: rescisão indireta, assédio moral, horas extras não pagas, aposentadoria por tempo de contribuição, revisão da vida toda, divórcio consensual, guarda compartilhada, inventário.

Cada uma dessas subpáginas responde a uma dúvida concreta de alguém que está com um problema real. Não é captação, é informação. E é justamente esse tipo de página que o Google entrega para quem digita "posso pedir rescisão indireta se o salário atrasa".

O que colocar em cada página de tema

  • O que a lei diz, em linguagem acessível, com referência ao dispositivo.
  • Quais requisitos precisam estar presentes para a tese se sustentar.
  • Quais documentos a pessoa deve reunir antes de procurar um advogado.
  • Prazos, que é uma das buscas mais frequentes e mais úteis.
  • Como costuma tramitar, sem prometer desfecho.
  • Um convite discreto para conversar sobre o caso concreto.

Repare que em nenhum momento você precisa dizer que vai ganhar a causa. Explicar bem já demonstra domínio, e domínio é o que faz a pessoa escolher você.

Como construir credibilidade sem depoimento

Você não pode usar depoimento de cliente, então precisa de outros sinais. Os que funcionam:

  • Perfil completo de cada advogado: foto profissional, formação, pós-graduação, número da OAB, áreas de atuação e artigos publicados.
  • Produção intelectual: artigos assinados no próprio blog, publicações em revistas jurídicas, participação em palestras e bancas.
  • Transparência sobre o processo de atendimento: como funciona a primeira conversa, o que o cliente precisa levar, como será a comunicação ao longo do caso.
  • Estrutura do escritório: fotos reais do espaço, endereço, canais de contato.

Do ponto de vista de busca, esses elementos são sinais de experiência e autoridade, que pesam muito em temas sensíveis. Direito entra na categoria de assuntos em que o Google é mais rigoroso sobre quem está falando, e um site sem autoria clara tem desvantagem estrutural.

Formulário, WhatsApp e LGPD

O contato precisa ser fácil, mas o cuidado com dados é maior do que na média dos negócios. Quem preenche um formulário de escritório de advocacia costuma descrever um problema pessoal e sensível. Três recomendações:

  1. Formulário curto, com nome, contato e uma descrição breve. Não peça CPF, RG nem documentos na primeira etapa.
  2. Aviso claro de privacidade junto ao formulário, explicando para que os dados serão usados e por quanto tempo ficam guardados.
  3. Deixe explícito que o envio da mensagem não cria relação de cliente e advogado e que o conteúdo do site é informativo, não consulta jurídica.

Esse último aviso protege você e alinha expectativa. É uma linha de texto que evita muito mal-entendido.

O que é obrigatório aparecer

Nome do escritório ou do advogado responsável e o número de inscrição na OAB, com a seccional, visíveis no site. O tom geral do site precisa ser sóbrio e discreto. Isso não significa feio nem datado: significa que a estética deve comunicar seriedade em vez de urgência comercial.

Onde os escritórios perdem cliente

Três erros se repetem. O primeiro é o site institucional de página única, que fala do escritório e não de nenhum problema do cliente. Ele não ranqueia para nada, porque ninguém pesquisa pelo nome de um escritório que não conhece.

O segundo é o blog abandonado, com três posts de 2019. Isso comunica escritório parado. Melhor ter cinco artigos bons e atualizados do que trinta desatualizados.

O terceiro é o site que não abre direito no celular. A pessoa com um problema trabalhista pesquisa no ônibus, no celular, às vezes com internet ruim. Se demora a carregar, ela volta para o Google e clica no próximo.

Quando a estratégia cresce

Um escritório com quatro áreas de atuação e dez temas por área já tem quarenta páginas relevantes para produzir, sem contar as variações por cidade quando o atendimento é regional. Nesse ponto, vale estruturar um plano de conteúdo em vez de escrever por impulso. É o mesmo raciocínio que aplicamos em qualquer trabalho de SEO bem feito: mapear a demanda antes de produzir.

Se você quer entender quais temas jurídicos as pessoas da sua região já estão pesquisando e o que o seu site precisa para aparecer neles, peça o Raio-X gratuito da srvs. A gente devolve um diagnóstico direto, sem promessa de milagre, e você decide o que fazer com ele.

Perguntas frequentes

Advogado pode ter site com marketing?
Pode. O Provimento 205/2021 do Conselho Federal da OAB permite publicidade informativa e o uso de marketing jurídico digital, inclusive conteúdo em blog e redes sociais. O que continua vedado é a mercantilização: captação de clientela, promessa de resultado, divulgação de valores de honorários de forma promocional e anúncio de causas ganhas com identificação.
Advogado pode divulgar preço de honorários no site?
Não como oferta promocional. O provimento veda o anúncio de valores de honorários com finalidade de captação, descontos, promoções e comparação de preços com colegas. Você pode explicar como funciona a cobrança em geral, por exemplo por hora, por êxito ou por contrato, sem transformar isso em vitrine de preço.
Advogado pode usar depoimento de cliente no site?
Não. O provimento veda a divulgação de depoimentos de clientes e a menção a casos concretos com identificação das partes. Você constrói credibilidade por outros caminhos: artigos técnicos, áreas de atuação bem descritas, formação, publicações, participação em bancas e conteúdo educativo que demonstre domínio do tema.
O que é obrigatório no site de um escritório de advocacia?
O nome do escritório ou do advogado responsável e o número de inscrição na OAB com a seccional, visíveis no site. Todo o conteúdo deve ter caráter informativo e discreto, sem elementos de mercantilização. Vale também deixar clara a política de privacidade, já que formulários de contato coletam dados pessoais e a LGPD se aplica.

Escrito por

Rafael Barcelar

Especialista em SEO e GEO na srvs. Conteúdo técnico sobre SEO, GEO e aquisição orgânica para prestadores de serviço.

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