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SEO para restaurantes e delivery

Rafael Barcelar··8 min de leitura

Restaurante e delivery vivem uma situação estranha. São dos negócios mais pesquisados no Google e, ao mesmo tempo, dos que menos trabalham a própria presença lá. A maioria terceiriza tudo para os aplicativos de entrega, paga comissão alta em cada pedido e depois descobre que não tem canal próprio nenhum.

Não é sobre abandonar aplicativo. É sobre não depender só dele. Abaixo está o caminho prático.

Como as pessoas realmente pesquisam comida

Antes de qualquer ajuste, entenda os tipos de busca que existem, porque cada um exige uma resposta diferente:

  • Busca por tipo de comida mais lugar: "pizzaria no Butantã", "comida japonesa em Santa Efigênia". É a mais comum e a mais valiosa.
  • Busca por prato específico: "onde comer moqueca em Vitória", "melhor esfiha de Belo Horizonte". Menos volume, intenção altíssima.
  • Busca por ocasião ou restrição: "restaurante para aniversário com espaço kids", "restaurante sem glúten", "lugar pet friendly para almoçar".
  • Busca por urgência: "delivery aberto agora", "pizza 24 horas perto de mim".
  • Busca pelo seu nome: quem já ouviu falar e quer conferir cardápio, horário ou avaliação.

Repare que só a última depende de a pessoa já te conhecer. Todas as outras são demanda em aberto, e é exatamente ali que a maioria dos restaurantes está ausente.

O erro número um: cardápio em imagem ou PDF

Este merece destaque porque é quase universal e custa caro. Muito restaurante publica o cardápio como foto no Instagram ou como PDF no site. Para o Google, isso é praticamente uma página em branco.

Os nomes dos seus pratos são palavras-chave valiosas. "Parmegiana de frango com fritas", "açaí no copo 500ml", "marmita fitness low carb". Se essas palavras estão presas dentro de uma imagem, elas não existem para a busca. Você acabou de esconder o seu melhor conteúdo.

Some a isso a experiência: PDF no celular obriga a pessoa a dar zoom, arrastar e adivinhar. Muita gente desiste antes de achar o preço.

O que fazer: cardápio em texto, na própria página, organizado por seção, com nome do prato, descrição dos ingredientes e preço. Fotos entram como complemento, nunca como substituto. Descrição de dois ou três itens em cada prato ajuda tanto o cliente quanto o buscador.

Perfil da Empresa no Google: o mais importante do nicho

Para restaurante, o perfil no Google pesa ainda mais do que em outros setores, porque a decisão costuma acontecer no próprio mapa, sem ninguém sair dali. Os pontos que mais importam:

  1. Categoria correta e específica. Pizzaria, hamburgueria, restaurante japonês, cafeteria. Categoria genérica dilui você em uma lista enorme.
  2. Horário de funcionamento sempre correto, inclusive feriados. Aparecer como aberto e estar fechado gera avaliação negativa quase garantida.
  3. Fotos de verdade e em quantidade. Pratos, salão, fachada, balcão. Este é o nicho em que foto mais influencia decisão, e imagem de banco de imagens é percebida na hora.
  4. Cardápio vinculado ao perfil. Aponte para a página de cardápio do seu site, não para um arquivo solto.
  5. Atributos preenchidos. Aceita reserva, tem estacionamento, é acessível, tem opção vegetariana, atende delivery. Cada atributo pode te colocar em um filtro de busca.

Avaliações: o fator decisivo em comida

Em nenhum outro setor a avaliação pesa tanto na decisão final. Duas pizzarias na mesma rua, uma com 4,7 e trezentas avaliações e outra com 4,2 e vinte, não competem em pé de igualdade.

O que funciona na prática: pedir avaliação no momento certo (na entrega, no fim da refeição, em uma mensagem depois do pedido), com um link direto e curto. Respostas do dono contam muito, principalmente nas críticas. Uma resposta que reconhece o problema e resolve costuma valer mais para quem lê do que uma dúzia de elogios genéricos.

Evite qualquer atalho. Oferecer desconto em troca de nota viola as regras da plataforma e, quando detectado, o prejuízo é maior do que a crítica que você queria evitar.

Páginas que trazem gente

Além do cardápio, existem páginas que capturam busca real e quase nenhum restaurante cria:

  • Página por bairro atendido no delivery. Se você entrega em seis bairros, cada um é uma busca diferente. Uma página com o raio de entrega, taxa e tempo médio para aquela região responde exatamente ao que a pessoa quer saber.
  • Página por ocasião. Almoço executivo, confraternização de empresa, aniversário infantil, encomenda para eventos. São buscas com alto valor por pedido.
  • Página por restrição alimentar. Opções sem glúten, sem lactose, vegetarianas e veganas. Público pequeno, fidelidade altíssima e concorrência baixa na busca.
  • Página do prato carro-chefe. Se você é conhecido por um prato específico, ele merece uma página própria com história, ingredientes e fotos.

Reduzindo a dependência dos aplicativos

A comissão dos aplicativos de entrega pesa no cardápio e muitas vezes come boa parte da margem. O ponto não é sair deles, e sim ter um canal paralelo que você controla. Três movimentos ajudam:

  1. Tenha um canal próprio de pedido. Pode ser um sistema de pedido no site ou até WhatsApp organizado com cardápio online. O importante é existir uma alternativa clara.
  2. Dê motivo para o cliente usar o seu canal. Preço um pouco melhor, item exclusivo, brinde na primeira compra direta. Sem incentivo, o hábito não muda.
  3. Imprima o convite onde o cliente já está. Um cartão dentro da embalagem do pedido feito pelo aplicativo, com o endereço do seu cardápio próprio, converte melhor do que qualquer anúncio.

Cada pedido migrado para o canal direto é margem inteira em vez de margem cortada, e ainda vira um cliente que é seu, não da plataforma.

Fotos: o ativo mais barato do nicho

Comida vende pelos olhos, e esse é o único setor em que a foto influencia a decisão tanto quanto o preço. Ainda assim, é comum ver perfil de restaurante com três fotos escuras tiradas às pressas.

Não é preciso estúdio. Luz natural perto da janela, fundo limpo, prato montado como você entrega de verdade e celular na horizontal já resolvem. Duas regras práticas: fotografe o prato como ele chega ao cliente, sem enfeite que não existe no salão, porque expectativa frustrada vira avaliação ruim. E renove as fotos a cada poucos meses, já que perfil com imagem antiga passa sensação de casa parada.

Vale também nomear os arquivos com o nome do prato antes de subir e preencher a descrição das imagens no site. É um detalhe pequeno que ajuda o Google a entender o que está ali e ainda coloca você na busca por imagens.

Detalhes técnicos que fazem diferença

Três coisas simples resolvem a maior parte dos problemas técnicos de site de restaurante. Primeiro, velocidade: fotos de comida são pesadas e precisam ser comprimidas, ou a página trava no celular de quem está com fome. Segundo, informação essencial acima de tudo: endereço, horário, telefone e botão de pedido devem aparecer sem rolagem. Terceiro, dados estruturados de restaurante e de cardápio ajudam o Google a exibir preço, faixa de valor e horário direto no resultado.

Vale ainda manter o horário atualizado em todos os lugares ao mesmo tempo, porque divergência entre site, perfil no Google e aplicativos gera cliente irritado na porta fechada.

Por onde começar esta semana

Se você tem pouco tempo, siga esta ordem: coloque o cardápio em texto no site, revise categoria, horário e fotos do Perfil da Empresa no Google, e comece a pedir avaliação em toda entrega. Só isso já move o ponteiro em poucas semanas. Depois disso, crie as páginas por bairro de entrega, que costumam ser a fonte mais consistente de pedidos novos.

Se quiser saber quais buscas de comida da sua região estão sobrando para os concorrentes, peça o Raio-X gratuito da srvs. A gente mapeia os termos que o seu restaurante deveria estar capturando e mostra o caminho mais curto até eles.

Perguntas frequentes

Como fazer meu restaurante aparecer no Google?
O primeiro passo é o Perfil da Empresa no Google completo, com categoria correta, horário de funcionamento, fotos reais dos pratos e cardápio atualizado. Em seguida vem um site com cardápio em texto indexável, endereço claro e páginas para as buscas que as pessoas realmente fazem, como o tipo de comida somado ao bairro.
Cardápio em PDF ou imagem atrapalha o SEO?
Atrapalha bastante. O Google lê texto com facilidade e imagem quase nada, então um cardápio em foto ou PDF esconde exatamente as palavras que trariam gente, como os nomes dos pratos. Além disso, esses formatos são péssimos no celular. O ideal é o cardápio em texto na própria página.
Como reduzir a dependência dos aplicativos de delivery?
A saída é criar um canal próprio de pedido e dar motivo para o cliente usá-lo, seja preço melhor, item exclusivo ou brinde. Combine isso com presença no Google para buscas locais e com um cardápio próprio bem posicionado. Não é sobre abandonar os aplicativos, é sobre não depender apenas deles.
Vale a pena ter site se o restaurante já está nos aplicativos?
Vale, porque nos aplicativos você aparece dentro de uma lista de dezenas de concorrentes e paga comissão sobre cada pedido. O site próprio capta quem pesquisa direto no Google, permite pedido sem comissão e constrói uma base de clientes que é sua. Os dois canais somam em vez de competir.

Escrito por

Rafael Barcelar

Especialista em SEO e GEO na srvs. Conteúdo técnico sobre SEO, GEO e aquisição orgânica para prestadores de serviço.

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